O câncer de colo do útero é um dos tumores mais preveníveis da medicina moderna. Ainda assim, continua entre os cânceres mais frequentes entre mulheres brasileiras.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), esse tipo de tumor está entre os principais cânceres que acometem mulheres no Brasil, especialmente em regiões onde o acesso ao rastreamento preventivo ainda é irregular.
A boa notícia é que, diferente de muitos outros tumores, o câncer de colo do útero pode ser evitado por meio da vacinação contra o HPV e do rastreamento periódico com exame preventivo.
“Hoje sabemos que a grande maioria dos casos poderia ser evitada com vacinação e exames preventivos regulares. O grande desafio ainda é o acesso e a adesão das mulheres ao rastreamento.”
(Drª Polyana Mendes Maia – Radio-oncologista)
O que causa o câncer de colo do útero?
O principal fator de risco para o câncer de colo do útero é a infecção persistente pelo HPV (Papilomavírus Humano).
O HPV é um vírus muito comum, transmitido principalmente pelo contato sexual. Estima-se que a maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com o vírus em algum momento da vida.
Na maior parte dos casos, o próprio sistema imunológico elimina o vírus naturalmente. Porém, quando a infecção persiste (especialmente pelos tipos HPV 16 e 18, considerados de alto risco) podem surgir alterações nas células do colo do útero que, ao longo de anos, podem evoluir para câncer.
Esse processo geralmente é lento e pode levar 10 a 20 anos para se desenvolver, o que torna o rastreamento extremamente eficaz na prevenção.
“Antes de se tornar um câncer, a doença passa por fases chamadas de lesões precursoras. É justamente nesse momento que o exame preventivo consegue identificar alterações e permitir tratamento precoce.”
(Drª Polyana Mendes Maia – Radio-oncologista)
Sintomas do câncer de colo do útero
Nas fases iniciais, o câncer de colo do útero geralmente não causa sintomas.
Por isso, muitas mulheres acreditam estar saudáveis e deixam de realizar o exame preventivo.
Quando os sintomas aparecem, podem incluir:
• sangramento vaginal fora do período menstrual
• sangramento após relação sexual
• corrimento vaginal persistente
• dor pélvica
• dor durante a relação sexual
“O problema é que muitas mulheres procuram atendimento apenas quando surge o sangramento. Nessa fase, a doença pode já estar mais avançada.”
(Drª Polyana Mendes Maia – Radio-oncologista)
Exame preventivo (Papanicolau)
O Papanicolau, também chamado de exame citopatológico do colo do útero, é a principal estratégia de rastreamento da doença.
Ele permite identificar alterações celulares antes que se transformem em câncer, possibilitando tratamento precoce e altamente eficaz.
Segundo recomendações do INCA e da FEBRASGO, o rastreamento deve seguir as seguintes orientações:
• iniciar aos 25 anos para mulheres que já tiveram atividade sexual
• realizar anualmente até dois exames consecutivos normais
• após isso, repetir a cada 3 anos
O exame é rápido, simples e dura poucos minutos.
“Quando detectado nas fases iniciais ou ainda nas lesões precursoras, as chances de tratamento bem-sucedido são extremamente altas.”
(Drª Polyana Mendes Maia – Radio-oncologista)
Vacina contra HPV: prevenção do câncer
A vacinação contra o HPV é hoje uma das estratégias mais importantes para reduzir a incidência do câncer de colo do útero no mundo.
Diversos estudos publicados em bases científicas como o PubMed demonstram que programas amplos de vacinação podem reduzir significativamente a ocorrência de lesões precursoras e, no longo prazo, o número de casos de câncer.
No Brasil, a vacina contra HPV está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para:
• meninas e meninos de 9 a 14 anos
• pessoas imunossuprimidas até 45 anos, conforme indicação médica
A vacina protege contra os principais tipos de HPV associados ao câncer de colo do útero.
“A vacinação é uma ferramenta fundamental de prevenção. Mas é importante lembrar que ela não substitui o exame preventivo. Mesmo vacinada, a mulher deve continuar realizando o rastreamento.”
(Drª Polyana Mendes Maia – Radio-oncologista)
Existe cura para o câncer de colo do útero?
Sim, principalmente quando o diagnóstico é feito precocemente.
Nos estágios iniciais, o tratamento pode envolver apenas cirurgia.
Em situações mais avançadas, podem ser indicadas radioterapia e quimioterapia, dependendo das características da doença.
Por isso, o acompanhamento regular é essencial.
“Quando conseguimos diagnosticar precocemente, o tratamento costuma ser menos agressivo e com melhores resultados.”
(Drª Polyana Mendes Maia – Radio-oncologista)
Quando realizar exame médico para detectar câncer de colo de útero?
É importante procurar um médico se:
• você nunca realizou o exame preventivo
• já faz mais de 3 anos desde o último exame
• apresenta sangramento vaginal fora do padrão
• percebe corrimento persistente ou dor pélvica
A sua saúde é prioridade, visite o ginecologista anualmente e priorize a sua saúde.

